Você consegue olhar um pouco mais longe?

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EDIÇÃO NRO. 3 – 26 DE MARÇO DE 2020

É natural que cada um de nós julgue o mundo de acordo com nossa perspectiva. Se você está “preso” em casa durante esta pandemia e tem um certo nível de conforto, é normal pensar que o resto das pessoas possui os mesmos recursos: navegue um pouco pela internet, assalte a geladeira e se distraia comendo ou faça o tempo passar mais rápido com a Netflix. Viu? Nem é tão ruim ficar isolado em casa…

Tomar o lugar que ocupamos como um sinônimo da realidade é delicado. Olhando só o próprio umbigo, gente como o Justus, o Durski (do Madero) ou o filho do dono do Giraffas, entendeu que tava tudo certo ao defender a ideia que vale a pena deixar um pouco de gente morrer para manter a economia funcionando. Entender o mundo e se relacionar com ele usando um único ponto de vista pode levar a distorções… pode fazer alguém achar que não há problemas em sair de casa e espalhar o vírus, afinal, “é só uma gripezinha”.

* Não sabe o que o Justus e o Durski falaram? Da uma olhada

Saindo da zona de conforto…

Aprender algo novo custa tempo e energia. Para conhecer “novos mundos”, temos que sair da nossa concha. Isso exige esforço e, além disso, coloca em cheque as nossas certezas. Por isso, é compreensível que algumas pessoas se agarrem às suas crenças com todas as forças: a zona de conforto é um lugar quentinho e gostoso.

Mas essa quarentena nos deu um monte de tempo pra pensar… então vou convidar você a prestar atenção em duas coisas: idosos e pessoas desfavorecidas. A ideia aqui é só mostrar que determinados grupos de pessoas passam por dificuldades maiores que as nossas e que, muitas vezes, nem estão no nosso radar. Se der certo e você ampliar o alcance da sua visão, já valeu a pena!

Idosos tendem a ser sozinhos – é o caso de 4,3 milhões de pessoas. Deram sua contribuição, mas o ritmo da vida e da evolução os colocou de lado, então a gente os deixou ali, sem pensar muito nisso. Mas… surpresa! Dentro de um idoso existe um ser humano!!! Te peguei, né? Eu sei…

Imagine-se recluso, sem recursos (celulares, streaming etc), sem conhecimento de tecnologia (celulares, aplicativos, internet, smartTVs…), com vulnerabilidades físicas e emocionais e, muitas vezes, com restrições de movimentação severas. Você acha chato ficar em casa e não poder curtir um happy hour? Pense melhor…

Agora tente visualizar a realidade de quem não tem recursos. Não estou falando daquela família que tem renda mensal de 3 mil reais… desça um pouco mais. Pessoas que dividem um barraco de 15 metros quadrados, onde moram 8 pessoas. Gente que abre a porta e vê o esgoto na frente de casa. Na cozinha, muito menos que o básico, e a tarefa de escolher entre comprar alguns sabonetes ou alimentar as crianças por mais 2 ou 3 dias. Quer ir mais fundo? Pense em moradores de rua.

Estes grupos sofrem os impactos desta crise de forma mais intensa. Emocional e fisicamente. Cabe a quem tem mais condições, atuar para proteger quem é menos favorecido.

Reconhecer a existência de pessoas mais vulneráveis e colaborar para que a disseminação do vírus seja mais lenta é uma realização que está ao alcance de qualquer um e que pode preservar o sistema de saúde, evitando sua sobrecarga.

100% dos palpiteiros e dos rebeldes de sofá não são epidemiologistas. Não possuem formação em saúde. Não tem nenhum conhecimento técnico para comentar a respeito do que pode ser feito para conter a disseminação de um vírus. A maioria não busca fontes confiáveis para se informar sobre o assunto.

Se você é como eu e NÃO TEM AUTORIDADE PARA DAR OPINIÕES CONSISTENTES SOBRE AS FORMAS DE CONTER O AVANÇO DO VÍRUS, seja humilde e reconheça suas limitações. Aceite as orientações dadas por especialistas na questão. Na dúvida, não seja inconsequente: fique em casa, capriche na higiene… e quando tudo passar, vá para as ruas dizendo que foi só uma besteira, que tudo não passou de uma gripezinha e xingue todos os médicos que conhecer (ideologia irresponsável faz menos mal que um vírus letal).

Não é hora de transformar uma questão de saúde pública em um debate político sem sentido. Há vidas em jogo.

Para que serve o isolamento?

A contenção das pessoas serve para conter o avanço do vírus. Se a contaminação (que é quase inevitável, dadas as características do vírus) acontecer de forma mais lenta, o sistema de saúde terá condições de atender mais pessoas, pois quando doentes novos precisarem de internação, os doentes “antigos” já terão sido curados – Haverá mais leitos, mais respiradores, mais medicamentos e mais profissionais disponíveis.

Se isso não está muito claro na sua cabeça, veja a imagem abaixo, que mostra a LETALIDADE (número de mortos) de cada vírus que nos assolou… os números são antigos (as mortes pelo COVID-19 já são muito maiores hoje), mas da para entender a mensagem.

* Quer encerrar com algo mais leve? Fica mais um pouco e leia isso


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Um comentário em “Você consegue olhar um pouco mais longe?”

  1. Samira disse:

    Lindo texto! Serve para deixarmos de ser egoístas e pensar no próximo!!

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