18 de março

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Existe sabedoria por trás de ditados populares. Há um ditado mineiro, por exemplo, que diz: “Todo mundo vê as pinga que eu tomo, mas ninguém vê os tombo que eu levo“. Traduzindo, você será admirado ou invejado por suas conquistas, mas ninguém saberá como foi a jornada até lá… e Alexei entenderia isso como ninguém.

Durante 18 meses o dia começou cedo. Estudos e treinamentos puxados eram o cardápio do café da manhã. O objetivo? Ser o primeiro homem a “caminhar” no espaço. Alexei Leonov seguiu firme até a recompensa: em 18 de março de 1965, conquistou o direito de gravar seu nome na história!

Mas tem as pingas e tem os tombos…

No dia da histórica caminhada, tudo estava tranquilo e silencioso no espaço (“silêncio no espaço”… foi uma piadinha! Pegou? Pegou?). Enfim… Alexei vestiu sua melhor roupinha, conferiu que tinha 45 minutos de oxigênio nos tanques e saiu da sua cápsula para ver como estava o tempo. Até aí, tudo lindo. A missão “Voskhod 2” era um sucesso.

Momento poesia: Voshkod é “Nascer do sol”, em russo.

O passeio de 12 minutos e 9 segundos estava chegando ao fim. Na hora de voltar, Alexei percebeu que seu traje estava rígido. O oxigênio havia tomado conta dos mínimos espaços. A saída seria liberar um pouco de ar e, sem falar nada para não deixar ninguém nervoso, foi em frente… só que a temperatura no traje começou a aumentar. Alexei apressou o passo (piadinha de novo!) e seguiu para a nave. Para entrar, teve que liberar ar novamente, o que elevou ainda mais a temperatura. O outro astronauta, que era responsável por fechar a escotilha não sabia de nada, então seguiu o roteiro em velocidade normal, enquanto Alexei cozinhava dentro de seu traje.

Com a crise resolvida, era hora de voltar para casa. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, o sistema automático de direção parou de funcionar. Era preciso pilotar a nave em uma das situações mais tensas e complexas possíveis. Para deixar tudo mais interessante, o combustível estava no final.

Após uma dose cavalar de problemas e de esforço, o pouso foi concluído nos confins da Siberia. E pensa que acabou? Uma árvore bloqueava a abertura da única porta. A dupla fez o que pôde e mandou a porta longe, só que como estavam em um lugar não planejado, passaram uma noite fresquinha a -30°C até a chegada do resgate no dia seguinte.

Alexei Leonov ganhou moral e seria o primeiro homem a pisar na Lua, em uma nova missão… mas os americanos chegaram antes e ficou por isso mesmo.

Quase morrer no espaço, quase morrer na reentrada, quase morrer congelado… tudo isso era tratado como uma aventura quando Leonov e seus amigos curtiam uma vodka em algum boteco russo, mas o que tirava o cosmonauta do sério (vc sabia que cosmonauta é como os russos se referem a astronautas?), era quando algum amigo dizia que sua conquista era fruto de “sorte”.

Nestas ocasiões, Alexei ficava sério e sacava o ditado mineiro para recitá-lo com fúria… mas ditados mineiros só ficam legais quando são ditos com sotaque de Minas… e ficam ridículos quando o sotaque é russo. Então os amigos caiam na gargalhada, Alexei entrava na onda e todo mundo esquecia esse papo de sorte para virar mais umas vodkas e ser feliz!

* É detalhe que você quer? Então toma: “Alexei quase ficou por lá


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