16 de Fevereiro

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A história é escrita como uma grande teia, uma emaranhado de fios. Um destes fios vem do bicho-da-seda. A seda movimentou a economia e patrocinou impérios por muito tempo. Durante muitos anos, inúmeros cientistas tentaram criar uma alternativa atraente com um processo de produção, mais acessível e menos trabalhoso. Wallace, um introspectivo químico formado em Harvard, foi um destes pesquisadores, mas ao contrário do que vinha sendo feito, não tentou “imitar a seda”; preferiu investigar um tecido com uma estrutura química similar. Incansável e determinado, suportou anos de trabalho e milhares de erros, para se tornar o “Pai do Nylon”. Em 16 de fevereiro de 1937, saiu a certidão de nascimento: o Nylon foi patenteado!

Wallace Carothers não viveu para ver seu “filho” crescer. Suicidou-se com cianeto. Também não viveu para conhecer uma coisa chamada “obsolescência programada”. Sabe quando você compra alguma coisa e ela não dura muito tempo? Após um suspiro, você diz com resignação: “antigamente as coisas duravam mais”. É disso que estamos falando…

Diz a lenda (talvez não tão lenda assim), que o Nylon, uma fibra “mais resistente que o aço, mais fina que uma teia de aranha e mais elástica do qualquer fibra natural” era bom mesmo. Tão bom que não rasgava nunca. O que era perfeito para os militares com suas barracas e paraquedas, era péssimo para quem vendia meias-calça: se não rasgar, não vai ter muita gente para continuar comprando.

Com isso em mente, a DuPont – a dona do Nylon – teria pedido que seus cientistas criassem um Nylon mais delicado, que pudesse sofrer danos com mais facilidade. A mesma situação teria ocorrido antes, com as lâmpadas, que funcionavam sem queimar jamais: o filamento interno teria sido redesenhado a pedido dos fabricantes para que sua vida útil fosse mais curta, mantendo as vendas sempre ativas. Acontece também com celulares (oi, Apple!) e com todas as impressoras do mercado. “Obsolescência programada” é quando uma coisa nasce com data para morrer.

Ficar obsoleto é ficar ultrapassado, inútil. Esta é uma realidade para esportistas em geral, que tem carreiras curtas. Também é uma verdade cruel para modelos, que por venderem beleza e juventude, tornam-se inviáveis quando as primeiras rugas aparecem. Foi assim com Margaux Hemingway, neta do escritor Ernest Hemingway. Ainda anônima, passou a infância e a adolescência no interior. Sua beleza de 1,82 foi descoberta (e explorada) pela indústria da moda quando tinha 19 anos. Batizada pela Vogue como “a nova supermodelo de Nova York”, Margaux não suportou a ascensão meteórica e o estilo de vida das celebridades, mergulhando em drogas e álcool. Sua obsolescência chegou aos 30, quando os primeiros sinais de envelhecimento a levaram ao declínio. Afetada por sérios problemas emocionais, Margaux tiraria a própria vida, assim com seu avô famoso o fizera, 35 anos antes.

Mas hoje vamos celebrar a vida e dar uma banana para a obsolescência! Teve bolo para o Nylon, então vai ter bolo para Margaux, que sopraria 66 velinhas neste 16 de fevereiro 😉

Hoje é domingo… o fim de semana dá seu último suspiro. Mas como a vida nunca fica obsoleta, apenas se renova, vem aí uma semana novinha, zero km, prontinha pra você escrever mais umas páginas da sua história!

PS: Você sabia que há uma lâmpada incandescente que funciona continuamente desde 1901 em um Corpo de Bombeiros na Califórnia? Se quiser saber mais sobre “Obsolescência programada”, da um pulo no YouTube e procura pelo documentário “The Lightbulb Conspiracy“. A versão completa tem quase 1h15min, mas há versões mais curtas.


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